Dois números aparecem em todo boletim de sondagem rotativa. Eles parecem parecidos e medem coisas diferentes.
Recuperação
Quanto de testemunho voltou, em relação ao que foi perfurado.
Recuperação (%) = comprimento de testemunho recuperado ÷ comprimento da manobra × 100
Recuperação baixa pode ser o maciço (rocha muito fraturada, zona de falha, material que se desagrega) ou pode ser a operação (barrilete inadequado, manobra longa demais, pressão de avanço alta). Antes de tirar conclusão geológica de recuperação ruim, elimine a hipótese operacional.
RQD — Rock Quality Designation
Proposto por Deere nos anos 1960. Soma apenas os pedaços de testemunho iguais ou maiores que 10 cm, medidos ao longo do eixo do testemunho.
RQD (%) = soma dos fragmentos ≥ 10 cm ÷ comprimento da manobra × 100
Duas regras que costumam ser esquecidas:
- Fraturas causadas pela própria perfuração ou pelo manuseio não contam. Quebra fresca, de face limpa e perpendicular, geralmente é mecânica — não é fratura natural do maciço.
- Mede-se ao longo do eixo, não pela peça mais comprida em diagonal.
A escala
| RQD | Classificação do maciço |
|---|---|
| 0–25% | Muito ruim |
| 25–50% | Ruim |
| 50–75% | Regular |
| 75–90% | Bom |
| 90–100% | Muito bom |
Por que os dois importam juntos
Recuperação 100% com RQD 20% é um maciço intensamente fraturado, mas bem amostrado — o dado é confiável e a notícia é ruim.
Recuperação 40% com RQD 90% é suspeito. Voltou pouco material, e o pouco que voltou era íntegro. Provavelmente perdeu-se justamente a zona fraturada — a parte que mais interessava. O dado subestima o problema.
É por isso que testemunho mal recuperado não é só perda de metro perfurado. É perda da informação mais crítica do furo.



